Se já pensou em desistir e largar tudo, saiba que esta afirmação é mais comum do que você possa imaginar e, te garanto, todo mundo passa por isso em algum momento da caminhada pelo trabalho com a espiritualidade.

São muitos os conflitos que travamos internamente – e externamente também, muitas vezes – desde o momento em que decidimos nos abrir para o novo, para a espiritualidade e a comunhão com Deus e o Universo, mas, sem medo de errar, posso afirmar que a dúvida é o maior destes conflitos.

Porém, não se pode confundir a dúvida que te leva a desistir com as dúvidas que fazem parte do eterno questionar e que é imprescindível a qualquer trabalhador da espiritualidade.

Questionar, buscar informações, conhecimentos novos, ampliar seus horizontes, isso tudo faz parte do seu crescimento, como pessoa e como trabalhador junto à espiritualidade, e dentro da Umbanda isso não é diferente.

Estamos falando sobre a dúvida vacilante, sobre duvidar de si mesmo a ponto de querer desistir de tudo.

“O que eu estou fazendo aqui?”, “Será que isso é pra mim?”, “Não me sinto útil no trabalho” e mais tantas outras perguntas começam a surgir e como elas vem o desânimo, muitas vezes só reforçado pelos outros irmãos que te olham com desdem, pois não entendem a razão das tuas dúvidas – e muitas vezes pouco demonstram querer entender.

Na esteira dessas perguntas, normalmente as respostas vindas de todos os lados são sempre sobre fé, sobre acreditar e ter certeza de que se está fazendo, sim, um trabalho importante. Mas normalmente, apesar de cheias de boas intenções e querendo levantar o ânimo, acabam sendo respostas vazias.

Duvidar de si – e de tudo – é parte de um processo muito particular, pois coincide, muitas vezes, com o início de um mediunato mais consciente e do reflexo das primeiras reformas íntimas e a “quebra” de parte do encantamento faz parte disso – e é perfeitamente normal!

Todos – repito, TODOS – os grandes missionários já se colocaram em dúvida – e talvez ainda se coloquem – sem que isso diminua a importância e a qualidade de seu trabalho e tenha certeza de que as dúvidas internas de cada um deles causou tanto espanto aos que os cercavam quanto as suas dúvidas causaram – ou causam – quando você diz que não sabe o que está fazendo ali no trabalho…

Mas é importante dizer que a fé cega, desprovida de reflexão e, principalmente, de disponibilidade, é uma fé burra, que beira ao fanatismo ou ao simples ato mecânico, um verdadeiro verniz social.

Pertencer a uma igreja  (templo, terreiro, ilê, roça, mesquita, catedral, sinagoga, etc.) por simples habito, por medo de reprovação, por pensar que é o certo mas sem sentir que está fazendo o certo é um crime contra sua consciência e sua liberdade de pensamento.

A Umbanda não aprisiona ninguém e TODOS são livres, do mais profundo de seus seres, para ir, vir e ficar, se quiser, e ir novamente se assim for o seu caminho e não há nada de errado nisso!

Não há nenhuma vantagem em “encontrar” uma religião na primeira tentativa em comparação a quem passou por mais de dez.

Quem sentiu que a Umbanda era seu lugar na primeira visita ao terreiro não é mais queridinho dos Orixás do que aquele que até hoje se pergunta se aquele terreiro (ou se a própria Umbanda) é o seu lugar.

Escolher ter (seguir, adotar, praticar, etc) uma religião não te faz melhor do que o ateu, o agnóstico, o espiritualista livre ou aquele que segue a religião que herdou dos pais.

Você é bem vindo ao trabalho da Umbanda mesmo em dúvida, mesmo pensando que não está ajudando, mesmo questionando se seu lugar é ali ou se a Umbanda é pra você. A espiritualidade vai sorrir com a sua chegada ou com a sua partida, desde que chegando ou partindo você também esteja sorrindo.

E saiba, que em qualquer situação, qualquer que seja a sua escolha, você não será nem mais, nem – muito menos – menos do que qualquer outra pessoa que tenha feito uma escolha diferente da sua.

Siga sempre o seu coração e a sua consciência e saiba, mesmo que te digam o contrário, que o respeito à individualidade dos seres é pedra fundamental da Umbanda e sem ela não há nada.

O amor que não liberta, não é amor; A fé que aprisiona, não é fé.

Seja qual for o seu caminho, Axé!

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