Cores dos orixás e suas velas

Falar sobre cores parece simples, mas para entender é preciso explicar alguns conceitos antes. Vamos a eles.

Os orixás são vistos na Umbanda como representação das forças da natureza, e como tal, podem vibrar em milhares de cores. O raio de Iansã pode ser vermelho como o fogo, ou azul no céu escuro, brilhar branco no céu do dia. A pedreira de Xangô pode ser marrom cor da terra, mas a própria terra pode ser vermelha, preta, cinza, amarela, dependendo de quais elementos estão naquele solo.

Os orixás também não estão isolados em suas redomas de energia. Cada orixá só existe em união, em sintonia com todos os outros orixás. É como uma ciranda, em que cada orixá dá as mãos uns pros outros.

Portanto, por mais que estas cores representem os orixás hoje, todas as cores estão dentro de cada orixá, todas cores são de todos os orixás.

O que acontece é que, por tradição, algumas cores foram sendo utilizadas com mais frequência para cada orixá, e hoje são associadas à energia de cada orixá.

Outro ponto importante é saber que essas cores são as que nos foram reveladas até agora. A Umbanda é antes de tudo um caminho de evolução, e nada impede que em breve tenhamos a evolução moral necessária para receber outras cores no culto aos orixás.

Como cada orixá representa uma força da natureza, que se expressa com suas lindas cores, foi possível associar cada cor com um orixá.

Abaixo as associações presentes que foram reveladas para nós até hoje:

 

Oxalá: Branco

Oxalá é o orixá que rege toda vida na Terra. É dele toda forma de encarnação, bichos, plantas, tudo que tem vida, deve à Oxalá sua existência. Como esse orixá representa todo o corpo da natureza, nele estão todas as cores do mundo. Por isso o branco, que é a junção de todas as cores de luz dentro de si.

É a partir da luz branca que todas as cores existentes podem ser vibradas, e o branco de Oxalá é o sinal de que nele está toda vida.

Branco também é a cor que rege a paz, que também é atributo de pai Oxalá.

Oxalá é Fé.

 

Iemanjá: Azul-claro

Iemanjá é a mãe da água salgada, de todo o mar. Por isso se usa uma vela que simbolize o azul limpo do mar. Iemanjá também rege o equilíbrio das emoções, a calma, a paciência. E uma representação dessa calma é justamente o azul do céu limpo.

Iemanjá é Equilíbrio.

 

Obaluaê: Branco com preto

Da mesma forma como se juntam todas as luzes na luz branca, ao se juntar os objetos de todas as cores, se consegue a cor preta. A cor branca e preta das velas representa o ciclo completo, desde a luz branca sinal de todo potencial da vida, até a cor preta, o sinal de coisas que terminaram seu ciclo vibratório e que estão sendo transformadas em material para outro ciclo de vida na Terra.

Obaluaê é o orixá da transformação, por isso se usa velas brancas e pretas, como sinal de transformação, passagem, mudança.

Obaluaê é Perseverança.

 

Nanã: Lilás

Nanã é o orixá da criação, da vida como entidade encarnada na Terra. É a senhora do barro com o qual Deus cria o homem. Nanã recebe de Iansã os espíritos em fase de reencarnar e usa seu barro para dar forma a cada ser na terra. Nanã também recebe da terra o que lhe foi depositado e se encarrega da transformação dessa energia em nova vida.

Nanã é Sabedoria.

 

Oxóssi: Verde escuro

Oxóssi é o rei da mata, o caçador de uma flecha só, que por dominar os segredos da floresta sabe tirar dela o sustento e o proveito. Oxóssi recebe tudo da mata, e sabe da importância de todos os animais e plantas pro equilíbrio da natureza. Por isso oferecemos velas verde-escuro para simbolizar o verde da mata virgem, das folhas com verde forte, a quem Oxóssi conhece como ninguém.

Oxóssi é Conhecimento.

 

Oxum: Amarelo

Oxum representa toda beleza que há nas riqueza e na prosperidade. É dela tudo que prospera, não só na área material, mas principalmente a prosperidade no amor, a sorte na vida, o crescimento das famílias, regendo a gravidez e as crianças até os sete anos.

E nada representa melhor a riqueza que o ouro, metal precioso para todas as civilizações na Terra devido às suas características de brilho, maleabilidade e raridade. Sua cor é amarela, como o ouro de Oxum.

Oxum é amor-próprio.

 

Iansã: Vermelho

Iansã rege os raios e trovões, a expressão da força da natureza que traz em si uma força imensa, mas que deve ser bem empregada para não causar destruição por onde passar.

Iansã é quem assopra o fogo da forja de Ogum, representando que só com o uso das forças da natureza o homem alcança a evolução. Iansã junto com Xangô vibram na força do fogo, e o vermelho das velas trazem a mensagem do fogo que constrói, transforma e faz crescer, mas que também pode queimar.

Iansã é Destreza.

 

Xangô: Marrom

Xangô é o senhor da justiça, da certeza das coisas certas e erradas, da lei que está escrita na pedra e imutável em todos os tempos. Xangô traz consigo a força de saber que aplica apenas o que é justo, e nada representa mais esta força que as pedras e rochedos, que são regidos pelo orixá.

A rocha também simboliza firmeza e estabilidade, tal como a força e vontade deste orixá. Por isso se usa o marrom, cor da terra e das rochas.

Xangô é Orgulho.

 

Ogum: Vermelho ou Azul-escuro

Ogum é antes de tudo o patrono da Umbanda. A ele sempre se reservam homenagens

Ogum é a representação do uso da inteligência dos homens para nossa evolução. Por isso Ogum rege as ferramentas, pois foi com elas que o homem pôde sair das cavernas e criar a civilização. Ogum é também o orixá da organização, da rigidez de princípios que permite aos exércitos vencerem batalhas, e as cores para este orixá são fortes e demarcadas, como a força de Ogum.

Vermelho e azul fortes, como em um escudo de guerra.

Ogum é força de vontade.

 

Ibeji: Azul com cor-de-rosa

Cosme e Damião representam tudo que é novo, que está nascendo, brotando, eclodindo… São os santos que regem tudo que é potencial, tudo que vem à Terra com as sementes de força, garra, determinação. São também os senhores da inteligência, simbolizam a vitória da medicina sobre a doença (padroeiros dos enfermeiros e médicos).

Por simbolizarem o novo, a promessa que está nascendo, se associam Ibeji às crianças. Se usam velas azul claro e cor-de-rosa, as cores dos bebês.

Cosme e Damião é Amor.

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Cleber Quichimbí

Cleber Quichimbí

Cleber 39 anos, filho de Oxalá... Idealista e emotivo. Metódico. Estudioso. Qualquer brinquedo é motivo para ser montado e desmontado. Este é seu maior desafio na vida: entender como as coisas funcionam nos mínimos detalhes.

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