Devo fazer preceito, porquê?

Dizem que não pode comer carne antes da gira… Mas porquê??

 

Uma das primeiras orientações para quem acaba de entrar na corrente é o ‘preceito’: não beber, não fazer sexo e não comer carne por 24 horas antes da gira.

Cada casa cumpre seu próprio preceito, mas no geral a ideia é essa: abster-se de algumas coisas por um período antes dos trabalhos.

E o médium novo, na época em que tudo é descoberta e novidade, nem se preocupa
Dito assim, de sopetão, sem muita reflexão o médium acha que este é só um dogma umbandista e portanto só mais um sacrifício que todo mundo deve fazer para estar de branco na gira.

Mas existem vários fundamentos por trás deste costume, e uma vez entendidos fica mais fácil respeitar e cumprir o preceito sem tanto sacrifício.

Começando do mais simples, o motivo fisiológico: após comer uma comida pesada e condimentada, o corpo fica mais ‘mole’ e não predispõe a um trabalho tão intenso quanto uma gira de atendimento. Uma refeição leve sempre é indicada pela questão do esforço.

Mas para entender o primeiro fundamento é preciso saber como funcionam as energias do nosso corpo. Não nascemos apenas com a energia mais pura e sutil da oração, temos um espectro muito grande de energias diferentes em nós, inclusive energias telúricas, que são mais densas e de origem do nosso corpo físico.

Reconhecer que carregamos a luz e a sombra, as energias sutis e também as mais pesadas dentro de nós é uma das belezas da umbanda. E a religião ensina a usar estas energias a nosso favor.

Não existe aqui um preconceito quanto às energias mais densas, elas são utilizadas pelos guias nos trabalhos de cura, por exemplo, em que o médium doa energia vital para o assistido durante o passe.

E essas energias precisam vir de algum lugar para serem doadas aos assistidos, ou seja, nós médiuns precisamos estar carregados de energias diversas, desde a energia mais sutil até a mais densa, para podermos nos doar.

É aí que entra o preceito. O corpo ao comer carne, fazer sexo ou beber consome muita de sua energia vital, a mesma que seria usada pelos guias durante o passe.
É como se a gente guardasse essa energia, deixando de gastar durante o preceito para estar pronto para praticar a caridade.

Mas o preceito tem ainda outro fundamento.
A carne, assim como a bebida, trazem em si energias (assim como todo e qualquer alimento) que são mais capazes de “aterrar”, de trazer o corpo do médium de volta pra Terra. O corpo do médium então tem que lidar com uma energia de ordem muito mais densa dentro de si, e isso faz com que se torne mais difícil trabalhar a energia sutil da incorporação mediúnica.

O sexo por sua vez é uma ligação energética muito forte (a energia da libido ainda será tema pra outro texto) que é feita entre quem o praticou, e o corpo precisa de um tempo para se restabelecer energeticamente depois.
Essa mistura de energias vai dificultar a conexão entre o médium e o guia, pois o corpo está ainda se refazendo da ligação energética que teve anteriormente.

A decisão de comer carne ou ser vegetariano é de cada um, e a Umbanda ensina que devemos ter consciência de todos os atos que praticamos, portanto a religião não pode dizer se o médium deve comer carne ou não.

O que não podemos esquecer é que só um corpo saudável consegue vibrar a saúde. E se iremos doar a energia de cura e saúde aos nossos assistidos, devemos cultivar uma alimentação equilibrada e saudável com frutas, legumes e vegetais. Assim poderemos ter o corpo saudável, fisicamente e energeticamente.

Agora sabendo os porquês do preceito fica mais fácil seguir e manter estas regras que são um dos grandes pilares no trabalho mediúnico.

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Cleber Quichimbí

Cleber Quichimbí

Cleber 39 anos, filho de Oxalá... Idealista e emotivo. Metódico. Estudioso. Qualquer brinquedo é motivo para ser montado e desmontado. Este é seu maior desafio na vida: entender como as coisas funcionam nos mínimos detalhes.

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