Pra quem é médium desenvolvido e já dá passe e consulta existe a “hora h” em toda gira: Tá tocando o ponto, tá tocando o sino, o guia-chefe deu o comando e é sua hora de incorporar e dar seguimento nos atendimentos, nas consultas e na gira. É o momento de se concentrar, se conectar com seu guia e deixar as energias fluírem para a prática do bem e da caridade.

Mas parece irresistível, é mais forte que você… é o olho que abre “só um pouquinho” para ver os colegas e o olhar rápido de avaliação na incorporação do outro já aconteceu.

Mas por que ao invés de se concentrar na sua incorporação a gente fica pensando no alheio? Por que a gente sente o impulso de olhar, de avaliar, de dizer se o outro está incorporando direito, se não tá mistificando, ou um monte de outros problemas que nós, na nossa soberba, nos achamos capazes de avaliar e corrigir no outro. Tudo isso sem olhar para sua própria incorporação, para sua própria conexão com seus guias.

O impulso é fácil de explicar, nós como seres humanos sempre queremos fazer parte de um grupo, e dentro do terreiro isso não seria diferente. Ninguém quer exagerar nos gestos, mas também não quer ficar parado, sem ação. E pra isso a gente olha os demais. Olha como o dirigente se comporta, olha o jeito como os guias dele vem, olha também pros médiuns mais velhos de corrente, para os pais e mães pequenos, na melhor das intenções de se incluir no grupo das pessoas do terreiro.

Faça um exercício, um dia vá a um terreiro e veja como muitos médiuns recebem seus guias com trejeitos semelhantes ao do pai ou mãe grande (babá ou ialorixá, dependendo da casa), e isso não é um problema, é o animismo que faz parte de todas as incorporações (vamos supor que a incorporação é uma soma de uma parte vinda do guia e uma parte vinda do médium. O animismo é a parte vinda do médium, e não tem nada a ver com mistificar, que é quando o médium passa na frente do guia). Não tem problema nenhum “imitar” o jeito de incorporar do pai grande, afinal é com ele que os médiuns aprenderam a incorporar e por mais que sejamos todos diferentes entre si, o pai grande tem um papel importante em ensinar os médiuns e doutrinar os guias de acordo com as regras da casa.)

O impulso de ver seus colegas não tem problema nenhum, e faz parte da nossa vontade de se comportar de forma semelhante a todos do mesmo grupo. O problema começa quando você quer ser o juiz do terreiro.

Querendo ser o juiz da incorporação alheia você deixa de se concentrar no que realmente importa, que é a prática do bem e da caridade, mas é possível deixar de se incomodar tanto com o que o outro está fazendo? Claro que sim!

Primeiro temos que ter claro a função de tomar conta dos outros médiuns é dos pais e mães no santo, é deles a responsabilidade de que algum médium esteja fazendo algo fora do normal e que eles tem os meios de tomar atitudes caso seja necessário.

É um exercício feito toda vez, a cada gira, mas que vale a pena. Quanto menos atenção você presta no seu colega, mais atenção prestará em si mesmo e mais conectado ao seu guia você estará.

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