Pareceu estranho? Mas é isso mesmo.

Guias e Orixás não são seus “pokemons”. Você não  “captura” seu guia, não “carrega” ele e, muito menos, pode lançar mão dele a qualquer hora, como quiser. Não, você não carrega um cinturão de “pokebolas” com seus guias e Orixás e bota eles pra brigar na hora que te der na telha.

(PS: se você não entendeu a referência a pokemon, dá uma lida aqui)

Os Guias são espíritos livres, que seguem a Lei de Umbanda e trabalham para o bem, para a luz, mas isso não lhes retira a individualidade, a personalidade e, principalmente, a liberdade e o discernimento para saber agir da melhor forma.

Os guias espirituais não pertencem ao médium, que deles não pode fazer o que quiser, quando quiser, “utilizar” eles quando bem entender, dar-lhes ordens ou colocá-los para trabalhar, incorporado ou não, ao seu bel prazer, ao contrário do que se faz com os monstrinhos no desenho animado.

Por eles não pertencerem aos “seus” médiuns – igualmente, o “seus” aqui indica a relação entre médium e guia, e não propriedade –  fica claro que eles não estão à  disposição e que não se sujeitarão a ordens ou pedidos esdrúxulos, tampouco o médium pode simplesmente invocar e, principalmente, incorporar o guia por qualquer motivo, a qualquer momento e se o guia não estiver disponível para atender àquele chamado.

Ainda menos isso se aplica aos Pais e Mães Orixás, divindades em um plano vibracional tão mais elevado, e que mesmo com sua capacidade de estar sempre ao lado dos seres humanos, existem em uma realidade, em uma dimensão tão distante deste conceito de propriedade, que é um absurdo imaginar que uma pessoa “possui” um Orixá e dele faz o que bem entende.

Dizemos sim que eles são nossos (ou meus) Guias Espirituais, nossos (ou meus) Orixás, mas há aqui uma pequena confusão linguística. O nosso aqui é um pronome que expressa relação e não propriedade, da mesma forma que em “nossos pais”, “nossos irmãos”, “nossos avós”.

“Meu” pai não é minha propriedade, ele não me pertence. Ao me referir a ele como “meu” pai, quero dizer que dentre todos os pais que existem no mundo, aquele homem é o que exerce o lugar no mundo de pai, em relação a mim.

A mesma coisa acontece em nossa relação com “nossos” Guias Espirituais e com os Pais e Mães Orixás. Não há propriedade, não há posse, não há domínio. Há simbiose, afinidade, amor, parceria.

Da mesma forma ninguém “carrega” o guia. O guia não é um objeto. Ter a companhia de um guia não é um peso. Ser portador da palavra amiga de guia é um fardo doce, um jugo leve e, verdadeiramente, uma enorme oportunidade de aprendizado.

Não faz sentido se envaidecer pelos guias que “possui”, mas sim ser profundamente grato pela presença destes amados mestres e ter a certeza de que se ele esta ao seu lado, é por quê a tua luz – mesmo em meio a tantas dificuldades – brilha muito mais do que você imagina.

Assim, pela luz que brilha em teu ser, pela chama acesa em teu coração,

Axé!

 

 

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