O Rio do Tempo e a Vida de Cada Um

O tempo não corre da mesma forma pra todo mundo.

Não o tempo do relógio, mesmo relativo, ele passa igual. Nós somente o sentimos passar de forma diferente em cada situação. Falo do tempo da vida de cada um.

O momento de vida de cada pessoa pertence unicamente a ela, e a mais ninguém. Sendo assim, a ninguém mais cabe o direito sobre este tempo, senão a si mesmo.

A nossa vida  é uma grande colcha de retalhos, costurada pelos caminhos que percorremos entre nossos erros e acertos. E não existe mapa, nem rota mas, mesmo assim, o melhor guia para estes caminhos somos nós mesmos.

O coelho branco

Você está atrasado ou adiantado no tempo da sua própria vida?

Somente cada um de nós sabe dizer se está atrasado ou adiantado em relação à própria vida. Apenas cada um de nós é capaz de refletir sobre isso, e ninguém mais.

Percorrer este caminho entre erros e acertos não é nada fácil e cada um de nós- e somente cada um de nós- sabe o quanto é tortuosa essa estrada.

Saber o que fazer, exatamente no momento certo em que precisa ser feito não é uma grande qualidade humana. Normalmente o tempo certo das coisas só se percebe quando ele já foi.

O aprendizado vem de guardar na memória o que passou e cuidar para agir da melhor forma possível na próxima vez. Relembrar o erro é bom, remoer os erros, é tolice.

Se a vida flui de uma certa forma para cada um de nós, não faz sentido comprar duas vidas, dois caminhos, dois tempos. O que pra mim é apenas o começo, pra você já pode ser o meio, ou o fim. E vice-versa. Com todo mundo.

O rio do tempo corre de muitas maneiras na vida de cada um de nós, mas ele sempre corre e nunca para. A força das águas é implacável. Mesmo o mais singelo fio d’água nunca vai deixar de chegar ao seu destino.

A vida contemporânea, cheia de caminhos, expectativas e opções, nos faz querer sempre mais, e isso é muito bom. Mas tudo isso gera grande angústia sobre o tempo para se chegar nestes objetivos. Cada escolha da vida demanda uma caminhada para que se faça acontecer.

Seu irmão casou e comprou um imóvel antes do trinta. Aquele seu primo chato foi promovido duas vezes em menos de um ano e está ganhando muito bem. Seu amigo de escola passou num concurso público disputado. Sua melhor amiga acabou de ser mãe. Você nem sabe o que vestir amanhã. Mas está tudo bem.

Os antigos já diziam que nada acontece antes da hora. Há o tempo de plantar, o tempo de cuidar e o tempo de colher. O importante é saber onde, na sua vida, você está agora e o que está fazendo.

Talvez o seu plantio esteja atrasado, ou só mais demorado, pois demanda mais tempo. Talvez você ainda esteja cuidando e nada está no ponto ainda. Mas talvez esteja na hora de colher os frutos e se fartar e se a hora for essa, não perca a oportunidade!

É sempre tempo de recomeçar

Se você sente que está atrasado no tempo da sua vida, saiba que nada está perdido! Você pode reverter isso tudo a qualquer momento.

O que passou certamente não volta e mesmo que possamos ressignificar tudo que nos aconteceu de forma a chegarmos até o momento daquela dor, daquela decepção, aquele instante já se foi.

Mas nem por isso quer dizer que nada pode ser feito, que alguma coisa está perdida permanentemente em sua vida. Sempre é tempo de mudar, crescer, movimentar. Sempre haverá espaço para o novo.

Tentar pautar nossa vida pelos caminhos que os outros percorreram é inútil e só causa sofrimento. Quem te garante que a vida do outro que hoje você e pensa ser tão incrível é realmente tão boa assim? Só quem anda o caminho sabe como ele é de verdade.

Para se colher é preciso plantar e cuidar, fazer crescer, zelar, colocar força, empenho, amor, suor e lágrimas. Somente assim o tempo da colheita se apresenta. Sem entrega, não existe caminho que valha à pena, não existe o bom combate. Sem amor pela jornada, todo caminho é confuso e todo atalho é perigoso.

Navegar a vida exige muito de nós, viver ainda é uma aventura e cada dia é capaz de nos revelar novos desafios e possibilidades, até mesmo nas coisas mais simples.

Que tenhamos sempre a sabedoria do barqueiro.

Axé!

 

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