Os Baianos na Umbanda – Alegria e Amor

Salve o povo da Bahia! Salve os Baianos! É nas força de Nosso Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora das Candeias que eu peço licença pra falar dos nossos tão amados Baianos.

Falar de Baiano é falar de alegria, força, caráter, retidão. É falar da sabedoria do povo simples, sofrido, que com muita simplicidade tira forças do mais profundo da alma pra fazer as coisas acontecerem. É a sabedoria popular, que mesmo ignorada, menosprezada por muita gente, é uma fonte inesgotável de conhecimento.

O Baiano representa a todos e cada um de nós e talvez, de todas as linhas de trabalho que vibram na Direita, sejam os guias mais próximos do plano dos encarnados.

Os Baianos são os Zés, Chicos, Marias, Terezas, Severinos, Ritas. São os anônimos do dia a dia que, mesmo ignorados, mesmo sem receber o devido valor, estão ali, fazendo seu trabalho com amor e dedicação.

Os Baianos trazem a força e o suor do povo sofrido que saiu da sua terra em busca de oportunidades, em busca de sobreviver.

O Baiano é o sertanejo, o interiorano, o caipira, o nordestino – que aqui pelas bandas do sudeste é generalizado como “baiano” – é todo aquele que deixou seu lar e seu bem querer em busca de uma vida melhor.

Falar de Baiano é falar de gente simples, guerreira, que tem muita fé em Deus e que tudo vai melhorar. Falar de Baiano é falar de fé e esperança, de amor e caridade, de trabalho e abnegação.

Contam os mais antigos na Umbanda que logo após a vinda das três linhas mestras (Crianças, Caboclos e Pretos Velhos) foi a linha dos Baianos que nos foi apresentada pela espiritualidade e chegou pra trabalhar em terra.

Sabemos que todas as linhas de trabalho que hoje descem nos terreiros já existiam muito antes de existir a Umbanda aqui na terra e com os Baianos não é diferente.

A Umbanda tem um forte fator social em sua estrutura. As linhas de Umbanda representam os excluídos, os sem voz na sociedade.:

As crianças que não tem voz ativa na sociedade;

Os negros que são discriminados até hoje;

Os idosos que são deixados de lado;

O índio que é marginalizado e considerado selvagem, inculto e vagabundo;

O marinheiro que é bêbado e que só serve para transmitir doenças;

O cigano que é considerado ladrão e aproveitador;

O boiadeiro, o homem do campo, que é tido por ignorante, bruto;

A mulher que ainda padece com o machismo e a violência na sociedade;

O baiano, que representa o nortista, o nordestino, o caboclo do centro-oeste e todo aquele que deixou a sua terra para vir para outro canto do Brasil buscando ganhar a vida e, quem sabe, um dia voltar pro seu chão.

O Estado da Bahia, por sua formação histórico-social, reuniu muitos povos, especialmente os povos africanos traficados para cá, nativos e europeus de diversas origens, o que criou um contexto social muito plural, muito variado e com fortíssima influência da cultura africana.

Não por acaso a Bahia (bem como todo o nordeste do Brasil) tem uma cultura regional e tradições muito próprias e características, extremamente marcantes, sendo que a fé e a religiosidade sincrética, misturada, é uma de suas marcas maiores.

O baiano (aqui, a pessoa nascida no Estado da Bahia) é conhecido em todo canto do país por sua fé e sua ligação com o sagrado, por ser capaz de cantar aos Orixás e rezar aos pé do altar católico, de forma muito natural.

Do mesmo modo, também se criou a infâmia de que o baiano é vagabundo, preguiçoso, não gosta de trabalhar, e sofre preconceito e discriminação por sua origem, sua forma de falar, sua cultura.

Muito além de trazer o axé e a fé do povo da Bahia, o Baiano na Umbanda também vem pra impor respeito e fazer pensar. Não basta somente respeito e amor ao guia que vem como Baiano, é preciso respeitar todos os irmãos de todos os cantos de nosso país.

Não é um acaso e nem coincidência o fato de que uma das linhas que mais trabalha em terra seja justamente a dos Baianos, afinal “Baiano bom é o que sabe trabalhar” já que “Baiano é povo bom, povo trabalhador”.

A linha dos Baianos é uma linha que tem um grande número de componentes, sendo sempre renovada. É uma grande porta de entrada para o trabalho como guia, na direita. Muitos espíritos que hoje trabalham como Caboclos, Pretos Velhos, Marinheiros, Ciganos, etc, já trabalharam um dia como Baianos.

Além disto, várias linhas que hoje vêm em terra em linhas próprias, começaram a vir – e ainda vem, em algumas casas – junto com os baianos. Assim foi com os Malandros, Cangaceiros, Marinheiros e Boiadeiros. Todos vieram, inicialmente, juntamente com os Baianos.

Os Baianos, no astral, são iniciados em diversos conhecimentos e magias e aprendem a lidar com as forças da natureza em prol do bem e da caridade. Trabalham com todos os elementos disponíveis ou sem nenhum, se assim lhes for pedido.

Cocos, fitas, facão, velas coloridas, farofa, pimenta, aguardente, “leite de bode” – a batida de coco, que alguns baianos tanto apreciam -, ervas frescas, flores, sementes, azeite de dendê. Os Baianos vão usar tudo que lhes for útil e com muito amor, vão sacralizar cada elemento que lhes for oferecido.

A presença de muitos itens de origem africana nos elementos de trabalho dos Baianos também não é por acaso, remetem às origens africanas do povo da Bahia bem como aos conhecimentos iniciáticos aos quais os Baianos tem acesso em seu treinamento e estudo no astral.

A musicalidade dos Baianos também é uma característica desta linha. Desde o jeito de falar, com um sotaque gostoso de ouvir, o molejo pra andar e os pontos cantados mais animados. Gira de Baiano é uma festa de fé e amor.

Uma das principais razões pelas quais se fundou a Umbanda neste plano foi para se combater a magia de baixa vibração movimentada aqui por diversas razões. Os Baianos são uma das linhas mais especializadas em trabalhar com estas energias contrárias.

Cada terreiro de Umbanda tem suas próprias determinações quanto às vestes e elementos, mas não é incomum encontrar guias que trabalhem utilizando de um chapéu coco, ou de palha, um facão na cintura, lenços, cinturões ou quaisquer outros elementos alusivos à Bahia, ao sertão nordestino e à vida no agreste brasileiro.

A fé em Jesus Cristo (e em Oxalá) – Muitas vezes nomeado pelos Baianos como Bom Jesus da Lapa ou Senhor do Bonfim – e na Mãe Iansã – Nossa Senhora das Candeias, para alguns Baianos – declara sua conexão energética, especialmente com Mãe Iansã. Não por acaso, o movimento e a expansão são as características maiores dos Baianos.

Os Baianos estão – ou podem estar – presentes em todos os trabalhos da Umbanda, seja em terra ou no astral e trabalham muito, o tempo todo, mas sempre com alegria e leveza e com todo seu amor, nos ensinam a lidarmos como nossos problemas e dificuldades da mesma forma.

Assim, a força do Baiano é a força que nos faz terminar um dia duro de trabalho com um sorriso no rosto. É a força e o amor ao trabalho duro, dedicado, incansável. A tenacidade dos Baianos nos dá força para viver o dia a dia.

Que a Fé dos Baianos nos permita fazer do mundo um lugar cada vez melhor e que o amor desse povo tão lindo e trabalhador nos faça enxergar a vida com um olhar um pouco mais alegre, mais leve, mesmo quando a batalha for grande e quando tudo parecer difícil.

Salve o povo da Bahia! Salve os Baianos!
Salve Seu Chico por me permitir falar sobre o seu povo.

Saravá os Baianos! É da Bahia, meu Pai!

Axé!

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