A bênção de longe no pós-pandemiaAo fim da pandemia, vai nascer uma nova Umbanda?

Estamos entrando no segundo ano da pandemia de covid 19 e as medidas de contenção do vírus parecem longe de ter fim. Alguns se arriscam a dizer que o mundo nunca mais voltará ao que era e o distanciamento social e etc vieram pra sempre.

Não sou sensitivo, então não posso oferecer visões sobre o futuro, mas podemos pensar sobre como esse período de quarentena afetou a Umbanda de uma maneira impossível de voltar ao que era antes.

Tocar sem pôr a mão?

O mais óbvio é que a Umbanda é uma religião de toque, de proximidade, de abraço carinhoso, de oferecer colo e acolhimento. Justamente o que está proibido para preservar nossas vidas durante a quarentena!

Não é preciso ser sensitivo para entender que por mais que o covid sumisse como um passe de mágica, a Umbanda nunca mais será a mesma.

As pessoas aprenderam a exercer sua fé através da tecnologia. O que a cinco atrás era visto com maus olhos, hoje se tornou comum: pessoas se consultam, se aconselham e são acolhidas pelos celulares e computadores. Giras são abertas no plano astral tendo cada médium em sua casa, mas ligados em energia e pensamento, tudo através da tecnologia.

E o axé acontece. Não é o mesmo axé do terreiro, não é o mesmo que o bolo misturado no guaraná do erê ou do gole de champanhe da pombogira, mas o axé acontece. Um outro axé, uma outra ligação, diferente mas que também é possível de existir.

E quando o covid acabar, como isso vai mudar a Umbanda? Quando todos tivermos nossas vacinas? Vai tudo voltar a ser o que era? Jamais.

Hoje os médiuns estão se dando conta que é sua fé que faz acontecer a ligação com o sagrado e todo o resto ajuda mas não é indispensável.

Quando o preto velho dizia que só precisava de uma vela e um copo d’água para chamá-lo, era disso que ele tava falando. Dessa transformação que nós médiuns vamos atravessar.

Máscara é item obrigatório no uniforme do axéDurante e depois da pandemia: Otimismo sempre

Eu sou um otimista sempre, acredito que sairemos dessa travessia menos ligados em bobagens como objetos de culto, espadas, pedras, pozinhos, ervas e mais ligados no poder da nossa própria fé. Quem de nós não teve um momento de ligação com seu caboclo, com seu Exu ou seu orixá e teve uma cura acontecendo mesmo através da tela do celular? Todos nós tivemos. E isso vai nos transformar.

Espero que o pós-pandemia seja o fim da Umbanda ligada em vender coisas, em vender cursos, vender vivências, vender aconselhamentos, e que dessas cinzas possa renascer uma Umbanda muito mais simples e que seja ligada na fé, no crescimento interno, na reforma íntima e na prática da caridade.

Claro que veremos exageros, como sempre existiu. Mas também haverá a pessoa de cama  curada, a pessoa presa que também pode se salvar, a mulher em um relacionamento abusivo que não deixa ela nem pisar na rua que pode se libertar.

Vamos trabalhar no momento em nossas próprias cabeças, em nossas casas, em nossos oratórios, nossas rezas e principalmente em nosso amor.

O plano espiritual vai fazer o resto, cabe à nossa fé acreditar.

 

Fotos: Raul Spinassé / FolhaPress em https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1673399222774408-orixas-nao-deixam-reabrir-terreiros-na-bahia-por-causa-da-pandemia

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