Se eu quiser fumar, eu fumo, Se eu quiser beber, eu bebo… Ou não?


Filho… O que é meu, eu levo embora comigo, não vou prejudicar a saúde do meu menino… mas se ele abusar, o que é dele, fica com ele…

Sr. Tranca Ruas das Almas

O uso do fumo e de bebidas alcoólicas é um dos elementos que mais gera dúvidas – e polêmica – tanto nos recém-chegados às correntes mediúnicas, quanto aos frequentadores – ou não – dos terreiros de Umbanda.

Mas muito além do estranhamento que estes importantes elementos possam causar, é importante saber que tudo que se utiliza no culto de Umbanda, se faz por alguma razão, afinal de contas, como diz o ponto: “Umbanda tem fundamento…” e é preciso conhecer e entender, para que se remova o véu da dúvida.

Sabe-se que hoje muitos terreiros não mais utilizam o álcool e o tabaco em seus rituais, substituindo-os por água e fumos feitos somente com outras ervas ou, simplesmente, sem se utilizar de nenhum elemento em sua substituição, sem que, no entanto, isso interfira de alguma forma na qualidade e na força dos trabalhos realizados.

Com exceção do amor e da caridade, que são pilares mestres da nossa amada Umbanda, nenhum elemento é obrigatório ou indispensável, cabedo a casa casa, cada sacerdote, cada tradição de Umbanda decidir o que é ou não essencial ao seu culto e essa multiplicidade da Umbanda é uma das características que a torna tão linda: A Umbanda não exclui, ela inclui e abraça todas as consciências e mesmo sendo muitas, continua a ser uma só.

Tanto as bebidas alcoólicas (seja a cachaça, ou marafo, o vinho, a cerveja, o whisky, etc) quanto o fumo (em forma de cigarro, cigarro de palha, cachimbo ou charutos), apesar do processo de industrialização, continuam sendo elementos de origem vegetal, natural, e que carregam em si os quatro elementos (água, fogo, terra e ar), mais o elemento etérico, e que, portanto, podem ser direcionados para fins magísticos e espirituais.

A bebida alcoólica tem forte ligação com o elemento fogo, pois o álcool queima, limpa, desinfeta, desfaz e dissipa energias e formas mentais impregnadas em pessoas, animais e objetos, sendo verdadeiramente uma bebida de poder e que quando manipulada pelos Guias, pode ser utilizada em todos os seus trabalhos, seja em curas, desobsessões, limpezas, imantações de energia e tudo mais em que o Guia precisar trabalhar.

Além disto, o álcool é um forte diurético, o que faz com que o rins trabalhem um pouco mais, expulsando água do corpo, o que leva junto resíduos energéticos decorrentes dos trabalhos mediúnicos, ou seja, quando o guia bebe um gole de álcool, ele está, literalmente, limpando seu médium de dentro para fora, protegendo-o de energias desprendidas nos trabalhos, realizando curas no médium, energizando pontos do seu corpo, e muito mais.

Da mesma forma o fumo age, sendo um importante elemento de trabalho, permitindo ao guia realizar verdadeira defumação dirigida, queimando, limpando, aquecendo, soprando pra longe ou energizando algum ponto do corpo do assistido, ou um objeto em que ele esteja imantando suas energias.

Normalmente, os guias incorporados não “tragam” a fumaça do fumo, somente “pitam”, porém isso nãp é uma regra e não nos cabe avaliar qual a forma correta de trabalhar com este elemento. De todo modo, o simples ato da respiração do médium, enquanto o guia manipula a fumaça, permite ação semelhante nos pulmões com a que acontece nos rins, pois a respiração também desagrega energias do corpo do médium, e a junção da fumaça, do fogo da brasa, dos elementos vegetais do fumo, da água na saliva do médium e do ar movimentado forma um complexo poderoso, tanto para a proteção do médium, quanto para o trabalho do guia.

Os órgãos duplos, como rins e pulmões, têm a característica de acumular energias estagnadas, mas também de serem, naturalmente, agentes de limpeza do organismo, já que a respiração e a excreção são formas naturais do corpo se livrar de agentes que já não lhe servem e igualmente se faz com as energias.

Quando utilizados corretamente, o álcool e o fumo são poderosas ferramentas para os trabalhos espirituais, mas seu uso inadequado pode ser prejudicial, sendo muito importante estar sempre atento a fim de evitar excessos e abusos.

Vivemos uma realidade neste momento onde a grande maioria dos médiuns é consciente (ou semi-consciente, como se preferir, já que a incorporação é um estado alterado de consciência) estando presente, atendo e sensível ao ambiente e ao desenrolar do trabalho, podendo, inclusive, interferir da manifestação mediúnica, quando não se está devidamente conectado ao trabalho – e ao seu guia – e a passividade necessária não é atingida.

Sendo assim, é perfeitamente possível que o médium, por ação de seu psiquismo, de suas manifestações anímicas durante o transe mediúnico, se aproveite do fumo e da bebida utilizados pelo guia incorporado, sendo este consumo, a partir deste momento, por sua total e completa conta e responsabilidade.

O guia incorporado irá se utilizar – e se responsabilizar – somente pelo que consumir em seus trabalhos, não interferindo em qualquer excesso por parte do médium, que terá que arcar com as consequências – inclusive as morais e fisiológicas – de seu abuso.

Estar atento e guardar o devido respeito e sacralidade ao ato do guia utilizar-se do álcool e do fumo é fundamental para o bom andamento dos trabalhos, pois devemos lembrar, sempre, que mesmo durante uma festa ou homenagem no terreiro, estamos em solo consagrado, lidando com o sagrado e em comunhão com seres cujas consciências estão em momento superior ao nosso e que vêm, caridosamente e dotados de amor infinito, manifestarem-se por meio de nossa mediunidade, em auxílio de quem deles necessita.

Axé!

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