“Técnica” para incorporar melhor

Incorporar é uma característica muito marcante na Umbanda. E algumas vezes parece que todo conhecimento do terreiro está voltado exclusivamente à incorporação. Logo, é normal que se deseje aperfeiçoar a técnica e incorporar melhor, e ter mais conhecimento mediúnico.

Mas vamos começar do começo. Existem muitas formas de se obter conhecimento, uma delas é pela teoria. É o conhecimento que vem pela abstração, análise de fatos e modelos, articulação de ideias. Este conhecimento vem do estudo, da teoria.

Isso se adquire lendo bons livros, conversando com pessoas mais estudadas, vendo filmes, ouvindo palestras, fazendo cursos… Toda forma de conhecimento teórico só pode nascer de uma mente disposta a estudar e aprender.

Há também o conhecimento que nasce na prática diária de um ofício. Um piloto de aviões se torna um bom piloto ao acumular muitas horas de voo, que o permitem ter prática sobre todos os controles da cabine do avião, não é mesmo?

Ou um médico cirurgião que mesmo conhecendo toda a anatomia humana precisa da prática em várias operações até ser considerado um bom cirurgião.

Portanto existe o conhecimento de estudo, o conhecimento vindo da prática, mas há ainda outra forma de conhecimento em que vamos nos concentrar agora.

É o conhecimento que nasce da vivência. É conhecer algo porque se teve contato com aquilo, e se aprendeu algo naquele contato direto com o que se quer aprender.

E é esse o conhecimento mais utilizado na Umbanda, que resgata justamente aquilo que só se aprende vivendo e convivendo. Só quem já girou pra Ogum sabe qual é a força desse orixá, o que o diferencia dos demais, como se manifesta seu axé, etc.

E é justamente essa uma das maiores belezas da Umbanda, a religião não está fechada no conhecimento que vem de um livro (que pode ser a Bíblia, o Torá, o Alcorão, etc), mas principalmente do conhecimento que vem do contato direto com os Orixás, com os guias, com os pontos, etc etc.

É evidente que todo conhecimento é válido para que não nos percamos na nossa própria cegueira. Mas não vamos cair na armadilha de achar que só quem estudou a origem de Ogum, os mitos que o cercam, o que ele representa, poderá explicar o que sente quando está recebendo a força deste orixá.

O conhecimento é bom, mas ninguém poderá fazer com que outra pessoa sinta essa energia por você.

E esse conhecimento se complementa com o prático e o teórico, e aí chegamos à pergunta que abre este tema: como incorporar melhor?

Incorporar melhor na Umbanda exige do médium articular essas três formas de conhecimento, com o objetivo de prestar a caridade.

Então são necessários três pilares para o exercício do mediunato: conhecimento do fenômeno, prática e vivência. Não se chega ao conhecimento pleno sem esses três pilares, assim como já ensinou Jesus que não se acende a candeia embaixo do alqueire, mas dentro do candeeiro para iluminar a todos.

Há coisas que não se pode apressar, e o desenvolvimento mediúnico é uma delas. Cada conversa com o guia, cada toque do atabaque, a energia de cada orixá, até a conversa e o exemplo dos demais guias… tudo é fagulha que vai sendo posta dentro do candeeiro do conhecimento. E que a seu tempo vai iluminar a todos com a luz da caridade.

Então quer saber a melhor técnica pra incorporar melhor? VIVA A UMBANDA. Acenda cada vela com vontade, peça as orações com verdade, tome os banhos com intenção clara, perca o medo da própria caminhada e deixe que o objetivo final não seja apenas incorporar, mas sim prestar a caridade.

Ninguém pode queimar etapas nessa jornada por você, porque o caminho é de cada um. O que cada pessoa deve aprender e desenvolver até estar pronto a receber seus guias? Ninguém pode dizer senão você mesmo.

E enquanto o objetivo da caridade estiver claro, se permita ser instrumento dos guias que te acompanham, sem nunca deixar de estudar, pois é o estudo que te ampara para não cair numa armadilha moral.

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Cleber Quichimbí

Cleber Quichimbí

Cleber 39 anos, filho de Oxalá... Idealista e emotivo. Metódico. Estudioso. Qualquer brinquedo é motivo para ser montado e desmontado. Este é seu maior desafio na vida: entender como as coisas funcionam nos mínimos detalhes.

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